A espera foi longa, mas enfim o Chelsea conseguiu escrever
seu nome no Hall dos grandes times da história do futebol ao conquistar o tão
cobiçado troféu da Uefa Champions League. O time do bilionário russo Roman
Abramovich acabou com a virgindade em competições européias ao vencer nos
pênaltis o Bayern de Munique, em pleno território adversário.
Com o triunfo, os londrinos, que há 9 anos foram adquiridos
pelo magnata, podem ter sacramentado uma nova fase no futebol mundial e seus
petrodólares, levando os empresários ao êxtase e os clubes formadores de
jogadores ao desespero.
Durante a semana o clima entre os times esquentou quando o
Presidente do conselho do Bayern de Munique, Uli Honnes afirmou: ‘’Fico furioso
toda semana quando vou colocar gasolina em meu carro. A máfia do petróleo tira
dinheiro do meu bolso e investe em jogadores.’’
E após duras batalhas contra Barcelona e Real Madrid, as
equipes foram a campo recheados de desfalques. Do lado do Chelsea as ausências
foram em diversos setores da equipe (Raul Meireles, Ramires, Terry e Ivanovic),
enquanto que os bávaros sofriam com baixas centralizadas no setor defensivo
(Badstuber, Alaba e Luiz Gustavo)
Os técnicos não inventaram e fizeram as mexidas mais
esperadas. Pelo lado azul, Di Matteo promoveu a entrada de David Luiz e
Bosingwa para completar a retranca, com Kalou e Bertand completando os 11
titulares.
Pelos vermelhos, Jupp Heynckes lançou o volante Tymoschchuk na zaga, Contento na
lateral e Kroos no meio. Em minha opinião, colocaria o brasuca Rafinha na
lateral direita, deslocando Lahm para a esquerda, ao invés de colocar Contento
que é muito marcador.
O jogo foi um massacre alemão, principalmente na segunda
etapa, um jogo de um time só, os Blues raramente chegavam ao ataque. Drogba
estava completamente sozinho no ataque.
As ausências de Ramires e Meireles foram muito sentidas no
meio, já que Kalou e Bertrand são muito fracos e não produziram nada de
efetivo.
Na zaga, Bosingwa e David Luiz fizeram o feijão com arroz,
embora o brasileiro tenha butinado um bocado durante a partida. Mas os
destaques vinham sendo Peter Cech, uma muralha e o zagueiro Cahill, que
neutraliza a tudo e a todos que chegavam próximo da área londrina.
Embora tenha dominado por completo a partida, o Bayern foi
contido com certa tranqüilidade pelo ferrolho montado pelo técnico Di Matteo. A
equipe bávara já estava manjada, tendo em vista, que baseia quase todas suas
jogadas em Ribery e Robben que normalmente resolvem na base da técnica e
velocidade.
O jogo foi sonolento, chegando a ser chato em alguns
momentos, embora tenha melhorado um pouco nos instantes finais da partida. Era
inevitável sonhar com uma final entre catalães e merengues.
Grande parte desses momentos de emoção foram proporcionados
por Mário Gomes, o Super Mário, que levantava a torcida ao desfilar toda sua
‘’categoria’’ em campo. O jogador se mostrou um brucutu dos grandes, sem
técnica alguma, com dificuldades extremas ao dominar as bolas, além de sua
peculiar lentidão, mas o seu faro apurado de matador não estava em dia, rifando
diversas oportunidades.
A incompetência bávara para marcar um gol assustava, até que
aos 38 da segunda etapa, eles conseguiram estufar as redes com Muller,
aproveitando cruzamento e abrindo o placar em um tento um tanto quanto
estranho, levando a crer que Cech tenha falhado, já que parecia ser uma bola
defensável.
Com o gol, a torcida local veio a baixo, já que faltavam
poucos minutos para acabar a partida e não havia apreensão com o adversário que
não assustava em nada. Até que o ditado ‘’quem não faz toma’’ demorou a chegar,
mas chegou com juros e correção. O atacante Drogba aos 43, finalizou com uma
senhora cabeçada o único escanteio e chance da equipe.
Com a ducha de água fria, os alemães foram para a
prorrogação mantendo o domínio predominante durante a partida. Até que Ribery
cai na área, gerando um pênalti contestável, no meu caso não daria, mas depende
da interpretação. O curioso quem fez foi Drogba, o mais aguerrido e esforçado
jogador dos Blues. Na cobrança Robben bateu mal e Cech com muita frieza deu
continuidade ao sonho dos londrinos.
Totalmente abalado psicologicamente pelo gol tomado no fim e
pelo pênalti perdido na prorrogação, o Bayern foi para a cobrança de pênaltis.
Cech, o melhor goleiro do mundo atualmente, defendeu as cobranças de Olic e
Schweinsteiger e sacramentou o destino da taça: Londres.
Méritos para o batalhão azul que nos últimos 3 jogos foi
massacrado impiedosamente, mas resistiu e conseguiu sair com a vitória.
Aplausos para o interino Di Matteo que soube se fechar com os jogadores e levou
um time desacreditado a um título que parecia improvável, caso estivesse com o
‘rebelde’ Villas Boas.
Agora resta sabermos quem será o adversário do Chelsea na
final do Mundial, mas uma coisa já sabemos terão muito trabalho para marcar um
gol.