21 maio 2012

NOVA ORDEM MUNDIAL


A espera foi longa, mas enfim o Chelsea conseguiu escrever seu nome no Hall dos grandes times da história do futebol ao conquistar o tão cobiçado troféu da Uefa Champions League. O time do bilionário russo Roman Abramovich acabou com a virgindade em competições européias ao vencer nos pênaltis o Bayern de Munique, em pleno território adversário.

Com o triunfo, os londrinos, que há 9 anos foram adquiridos pelo magnata, podem ter sacramentado uma nova fase no futebol mundial e seus petrodólares, levando os empresários ao êxtase e os clubes formadores de jogadores ao desespero.

Durante a semana o clima entre os times esquentou quando o Presidente do conselho do Bayern de Munique, Uli Honnes afirmou: ‘’Fico furioso toda semana quando vou colocar gasolina em meu carro. A máfia do petróleo tira dinheiro do meu bolso e investe em jogadores.’’

E após duras batalhas contra Barcelona e Real Madrid, as equipes foram a campo recheados de desfalques. Do lado do Chelsea as ausências foram em diversos setores da equipe (Raul Meireles, Ramires, Terry e Ivanovic), enquanto que os bávaros sofriam com baixas centralizadas no setor defensivo (Badstuber, Alaba e Luiz Gustavo)

Os técnicos não inventaram e fizeram as mexidas mais esperadas. Pelo lado azul, Di Matteo promoveu a entrada de David Luiz e Bosingwa para completar a retranca, com Kalou e Bertand completando os 11 titulares.

Pelos vermelhos, Jupp Heynckes lançou  o volante Tymoschchuk na zaga, Contento na lateral e Kroos no meio. Em minha opinião, colocaria o brasuca Rafinha na lateral direita, deslocando Lahm para a esquerda, ao invés de colocar Contento que é muito marcador. 

O jogo foi um massacre alemão, principalmente na segunda etapa, um jogo de um time só, os Blues raramente chegavam ao ataque. Drogba estava completamente sozinho no ataque.

As ausências de Ramires e Meireles foram muito sentidas no meio, já que Kalou e Bertrand são muito fracos e não produziram nada de efetivo.

Na zaga, Bosingwa e David Luiz fizeram o feijão com arroz, embora o brasileiro tenha butinado um bocado durante a partida. Mas os destaques vinham sendo Peter Cech, uma muralha e o zagueiro Cahill, que neutraliza a tudo e a todos que chegavam próximo da área londrina.

Embora tenha dominado por completo a partida, o Bayern foi contido com certa tranqüilidade pelo ferrolho montado pelo técnico Di Matteo. A equipe bávara já estava manjada, tendo em vista, que baseia quase todas suas jogadas em Ribery e Robben que normalmente resolvem na base da técnica e velocidade.

O jogo foi sonolento, chegando a ser chato em alguns momentos, embora tenha melhorado um pouco nos instantes finais da partida. Era inevitável sonhar com uma final entre catalães e merengues.

Grande parte desses momentos de emoção foram proporcionados por Mário Gomes, o Super Mário, que levantava a torcida ao desfilar toda sua ‘’categoria’’ em campo. O jogador se mostrou um brucutu dos grandes, sem técnica alguma, com dificuldades extremas ao dominar as bolas, além de sua peculiar lentidão, mas o seu faro apurado de matador não estava em dia, rifando diversas oportunidades.  

A incompetência bávara para marcar um gol assustava, até que aos 38 da segunda etapa, eles conseguiram estufar as redes com Muller, aproveitando cruzamento e abrindo o placar em um tento um tanto quanto estranho, levando a crer que Cech tenha falhado, já que parecia ser uma bola defensável.

Com o gol, a torcida local veio a baixo, já que faltavam poucos minutos para acabar a partida e não havia apreensão com o adversário que não assustava em nada. Até que o ditado ‘’quem não faz toma’’ demorou a chegar, mas chegou com juros e correção. O atacante Drogba aos 43, finalizou com uma senhora cabeçada o único escanteio e chance da equipe.

Com a ducha de água fria, os alemães foram para a prorrogação mantendo o domínio predominante durante a partida. Até que Ribery cai na área, gerando um pênalti contestável, no meu caso não daria, mas depende da interpretação. O curioso quem fez foi Drogba, o mais aguerrido e esforçado jogador dos Blues. Na cobrança Robben bateu mal e Cech com muita frieza deu continuidade ao sonho dos londrinos. 

Totalmente abalado psicologicamente pelo gol tomado no fim e pelo pênalti perdido na prorrogação, o Bayern foi para a cobrança de pênaltis. Cech, o melhor goleiro do mundo atualmente, defendeu as cobranças de Olic e Schweinsteiger e sacramentou o destino da taça: Londres. 

Méritos para o batalhão azul que nos últimos 3 jogos foi massacrado impiedosamente, mas resistiu e conseguiu sair com a vitória. Aplausos para o interino Di Matteo que soube se fechar com os jogadores e levou um time desacreditado a um título que parecia improvável, caso estivesse com o ‘rebelde’ Villas Boas.

Agora resta sabermos quem será o adversário do Chelsea na final do Mundial, mas uma coisa já sabemos terão muito trabalho para marcar um gol.

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