Por Romulo Venoso
É hoje, o tão aguardado confronto que irá
definir o representante brasileiro na final da Taça Libertadores 2012. Na primeira partida, o Corinthians conseguiu uma ótima
vitória sobre o Santos na Vila Belmiro. Desde as quartas de final quando
enfrentou o Vasco, o técnico Tite optou por uma variação tática, exercendo uma
marcação por zona, diferente do que dizem, a equipe faz uma marcação com uma
linha de quatro e duas linhas de três.
Na Vila, a linha de quatro foi composta por
Alessandro, Chicão, Castán e Fábio Santos; a primeira linha de três era formada por Ralf, Alex e Paulinho, e por fim Jorge
Henrique, Danilo e Emerson Sheik encerravam a linha mais avançada. Todos atrás da linha
da bola, fechando os espaços do campo, sem dar chance ao time da baixada.
O Corinthians valorizou a posse de bola,
porém, abusou da velocidade de seus jogadores pelas laterais do campo, sendo
mais efetivo do que o Santos com a bola no pé, fechando melhor os espaços sem a
bola. Isso sem falar no empenho tático dos jogadores do Parque São Jorge que
conseguiram manter este esquema durante os 90 minutos.
Já o Santos teve muita dificuldade de produzir
com a bola no pé, embora tinha a posse de bola, não conseguia encontrar espaço
para seus jogadores criarem alguma situação de perigo contra o oponente.
Taticamente o Santos foi o mesmo de sempre com seu 4-4-2 sem novidades, nem
variações estratégicas em campo, o que facilitou a marcação corintiana, que se
preparou para este tipo de jogo.
Sem nenhuma surpresa, o Santos foi anulado.
Existiu uma tentativa do técnico Muricy ao colocar Borges no lugar de Elano,
dando assim maior liberdade para Arouca, e conseqüentemente, aumentando o poder
de finalização com dois jogadores de área – Kardek e Borges, com Neymar livre
para criar, mas de nada adiantou. O Santos até agrediu, mas parou na boa
atuação de Cássio, que fez três grandes defesas, além das ótimas saídas de gol,
tirando assim qualquer chance do alvinegro praiano nas bolas aéreas.
O Santos teve maior posse de bola, mas não
tinha espaço para converter em gols essa vantagem. A equipe foi paciente quando
tinha a bola, mas o Corinthians não alterava sua marcação com a troca de passes
do time da casa. Teoricamente, o Santos fez tudo certo. O time colocou em
prática tudo o que aprendeu com a derrota contra o Barcelona no Mundial, mas
não encontrou espaços na primeira partida.
Acredito que seja tolice querer montar um time
como o Barcelona ou a Seleção da Espanha, pois são times que têm um elenco com
condições de jogar daquela forma. Não dá para pensar que o Santos teria a mesma
eficiência que os catalães, jogando com o mesmo esquema tático, pois os
jogadores têm características muito diferentes.
Podemos usar como exemplo, o Ganso: um
excepcional jogador que, no entanto, não conseguiria jogar no esquema tático do
Barcelona, já que é lento na marcação e na recomposição tática. No Barça,
provavelmente, não conseguiria fazer a marcação sob pressão, feita por todos os
jogadores da equipe, o que destruiria a marcação e daria espaço para o
adversário.
Já o Corinthians tem algo em comum com o
Barcelona. Não jogou essa última partida contra o Santos com um centroavante
fixo na área, mas também não deixou de fazer a marcação no meio campo, atrás da
linha da bola, como de costume, fazendo marcação em zona de modo muito
eficiente, conseguindo anular Neymar, sem que fosse necessária uma marcação
especial (que é a maior burrice!).
Acredito que para se montar um time eficiente
taticamente não se deve copiar o esquema tático de outra equipe, pois aquele
esquema funciona com jogadores de características específicas. Por esse motivo
gosto do esquema tático de Tite: ele montou um esquema para o time, respeitando as características
de seus jogadores e adequando esse esquema, quando necessário, ao adversário.
Enquanto que Muricy montou o Santos
privilegiando o maior nome do futebol brasileiro na atualidade, Neymar. Não que
ele esteja errado, está certo, afinal é um jogador decisivo e tem resolvido o problema
do Santos na maioria das partidas. O único problema é que quando ele não
consegue jogar o que todos esperam, por vários motivos (no caso da primeira
partida, foi a boa marcação do time adversário), o resultado é frustrante.
Ainda assim, com o talento que tem Neymar, é possível que ele possa resolva o caso nesta noite, pois só existe uma coisa que acaba com qualquer esquema tático – é o drible! No caso do Corinthians, com sua marcação por zona, significa pensar que se um jogador é deslocado de seu setor, outro necessariamente tem de cobri-lo, abrindo, desse modo, espaço para o adversário.
Bom, o que podemos esperar, portanto, é uma
ótima partida. Acredito que o Corinthians tenha mais chances pela vantagem
adquirida fora de casa e por seu comportamento tático em campo, até porque o
Santos terá que se expor mais, dando ainda mais chance para alvinegro paulista
usar os contra-ataques.
Muricy deu uma declaração dizendo que a
ausência do Sheik era um desfalque importante para o Corinthians, mas não concordo
com o treinador. Tite tem peças de reposição que podem exercer a mesma função
do atacante, mantendo o mesmo nível (Wiliam ou Liedson) e, por isso, acredito
que essa alteração não vá mudar em nada o estilo de jogo da equipe.
Agora é só aguardar para ver qual vai ser
o resultado.

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