05 julho 2010

Os erros ocorridos pela falta de checagem nas matérias jornalísticas


Nos últimos dias foi veiculada pela imprensa uma informação extremamente leviana sobre uma suposta irregularidade no passaporte do meia Mesut Ozil, descendente de turcos, e um dos destaques da Copa, nascido em Gelsenkirchen, solo alemão.

A frase proferida pelo técnico holandês Guus Hiddink, da Turquia, foi distorcida e erroneamente interpretada pela mídia em tom de denúncia, levando a crer que o camisa 8 da Alemanha teria falsificado sua documentação para poder atuar por uma equipe nacional diferente.

"O passaporte alemão de Mesut Ozil é falso. O documento foi falsificado para permitir ao jogador representar a seleção alemã, mas ele não tem esse direito", publicam os jornais portugueses O Jogo e A Bola, os espanhóis Marca e As, o brasileiro Lance!, além do site da ESPN Brasil.

O que Hiddink disse na verdade foi: "Pena que Ozil escolheu o passaporte errado. Ele é um jogador moderno, que eu poderia utilizar na minha equipe. A Alemanha tem uma cultura totalmente diferente de jogo", declarou o técnico da Turquia para o site Sport Bild, lamentando que o meio (que tem dupla nacionalidade) tenha optado por defender os tricampeões.

O desencontro de informações coloca mais um parêntese na briga entre imprensa e treinadores na Copa do Mundo. O motivo desse desencontro se deve a falta de apuração feita pelos veículos de informação, que preferem dar um copie e cole em relação a uma matéria bombástica, ao invés de procurar informações sobre o caso, ouvir o acusado e não somente o acusador (que nesse caso, nem existe) deixando-se levar pela reputação de onde veio a informação. O único site a colocar a matéria corretamente foi o site da Gazeta Esportiva.Net, esclarecendo essa confusão.

Esse tipo de situação nos remete a uma das mais lamentáveis histórias de injustiça do jornalismo, o caso Escola Base, uma verdadeira lição de como não praticar um bom jornalismo.

Nele, um casal oriental que tomava conta de uma creche, foi injustamente acusado de abusar sexualmente das crianças que freqüentavam o local. O caso foi ganhando contornos mais absurdos a cada dia que passava, mostrando como a mídia tem poder de construir ou destruir pessoas.

Com o passar do tempo foi concluído que tudo não passava de um grande equívoco, mas o estrago já estava feito e a vida do casal e dos outros envolvidos já estava manchada para sempre, enquanto que os meios de comunicação se preocuparam apenas em divulgar uma nota lamentando o ocorrido.

A feracidade da imprensa em publicar qualquer tipo de declaração por mais absurda que seja, apenas para gerar polêmica, sem ao menos confrontá-la, retrata que ouvir somente um lado da história pode distorcer toda realidade.

Talvez esse seja um dos motivos de Dunga não gostar muito da imprensa.

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