02 agosto 2012

Orfãos da pátria



Disputar uma Olimpíada é o ponto máximo na carreira de um atleta, a realização de um sonho poder levar ao pódio a bandeira de seu País e exibi-lá com orgulho é uma das motivações desses esportistas. Mas existem casos curiosos de atletas que estão participando dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, de maneira avulsa, ou seja, sem representar nação alguma.

Como é o caso de quatro atletas, Guor Marial (atletismo) Sudão do Sul, Reginald de Windt (judô), Phililipine Van Aanholt (vela) e Liemartin Bonevacia (atletismo) todos ex-Antilhas, que desfilaram sozinhos na cerimônia de abertura. O caso de Windt é emblemático, o judoca que é de Curação, localizado nas Antilhas Holandesas, vinha disputando normalmente as competições, tendo inclusive participado de Pequim 2008, defendendo as cores de seu país que era reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O problema é que o arquipélago das Antilhas voltou a ser território holandês em junho de 2011, fazendo com que o COI o tirasse da lista de países filiados. Restava a opção de competir pela Holanda, mas devido a força do País no esporte ele refugou a opção.  

Já a situação de Guor Marial é extrema, além de seu país de origem não ser reconhecido pelo Comitê, o atleta do Sudão do Sul, não possui passaporte de nenhuma nação, embora tenha o green card dos Estados Unidos, que o torna residente permanente americano, não um cidadão. Desta forma, o maratonista correrá em busca da conquista pessoal, já que não poderá representar nenhum País. 

28 junho 2012

Enfim chegou a hora?



Depois de quase 102 anos de história, finalmente o Corinthians está pronto e só mesmo por falhas individuais não levará o caneco da Taça Libertadores. A equipe de Tite joga um futebol extremamente competitivo, com a defesa fechada a sete chaves e um contra ataque mortal.

Até a arbitragem da competição sul americana, tão contestada ao longo da história por sempre favorecer o time da casa foi tranquila, sem interferir no resultado. A tradicional catimba argentina quase não foi notada.  

Falar sobre a defesa é bater na mesma tecla, Castán está jogando em nível de seleção, Chicão dá chutão para tudo quanto é lado, Alessandro e Fábio Santos quase não passam do meio de campo, Ralf marca até a sombra do time adversário e Paulinho faz tudo.

Do meio para frente, Zidanilo não brilhou como antes e quase não foi notado, mas é importante, Alex fez uma grande partida, Jorge Henrique saiu lesionado para a entrada de Liedson, que mostrou que realmente a aposentadoria está muito próxima, se arrastando em campo.

E Emerson Sheik que a meu ver não passava de um jogador mediano, provou o contrário, joga muita bola, sendo o responsável pelo possível título ao eliminar o Santos com aquele gol fantástico na Vila Belmiro e por entortar a defesa xeneize e dar um passe magistral para Romarinho empatar o jogo.

Já o Boca Juniors de hoje não lembra nem o espectro de outrora, não passa de um time raçudo, que vive de lampejos de seus jogadores mais habilidosos como Erviti, Riquelme e Mouche, mas que nada lembra a seleção que ficou conhecida como o ‘’Destruidor de brasileiros’’ que tinha Schelotto, Tevez, Delgado, Battaglia, Palermo, Samuel e o goleiraço Óscar Córdoba, comandados pelo lendário Carlos Bianchi.

Embora o Boca não tenha dominado a partida, teve bons momentos, como na bela jogada de Riquelme que Mouche finalizou fraco, o inacreditável tento perdido por Cvitanich aos 45 do segundo tempo e pelo não domínio da bola em uma jogada simples de Santiago ‘El Tanque’ Silva que iria deixá-lo de cara com Cássio. Mas podemos dizer que isso seria sorte de campeão?

Não, porque se bobear o lance mais perigoso do jogo foi o tirambaço de Paulinho logo no início, que obrigou Orión a buscar a bola no seu ângulo esquerdo. No mais, o time manteve a excelente troca de passes, a forte marcação e sua calma costumeira, só não saiu com um resultado melhor porque sentiu a pressão de jogar no caldeirão da Bombonera e pelas circunstâncias da partida.

Meu palpite um empate com gols (1x1, 2x2) no Pacaembu muito mais por conta do nervosismo alvinegro do que pela qualidade argentina. Se fosse para os pênaltis, em 2000 e 2003 isso serviria como alívio para os secadores por causa do ‘’senhor pegador de pênaltis’’ Cordoba, mas hoje, Orión não passa segurança nem no tempo regulamentar, o que dirá em uma decisão assim. Do lado alvinegro, o gigante Cássio que já disse anteriormente que é bom pegador deve fazer seu nome e carimbar seu nome na história.

Muitos irão dizer que Boca é Boca, é imprevisível, que eliminou o Fluminense, Palmeiras, Santos, Grêmio aqui, concordo, mas esse time atual é um dos mais fracos em muitos anos, o mais fraco que já vi jogar, que quase foi rebaixado junto com o River no ano passado, não tem brilho nenhum.  

E se o Corinthians eventualmente conquistar o título e mantiver sua base tem grandes chances de abocanhar de quebra o título mundial, porque convenhamos o Chelsea não mete medo em ninguém, principalmente agora sem Didier Drogba.

20 junho 2012

Corinthians e Santos: quem vai à final da Libertadores?



Por Romulo Venoso

É hoje, o tão aguardado confronto que irá definir o representante brasileiro na final da Taça Libertadores 2012. Na primeira partida, o Corinthians conseguiu uma ótima vitória sobre o Santos na Vila Belmiro. Desde as quartas de final quando enfrentou o Vasco, o técnico Tite optou por uma variação tática, exercendo uma marcação por zona, diferente do que dizem, a equipe faz uma marcação com uma linha de quatro e duas linhas de três.

Na Vila, a linha de quatro foi composta por Alessandro, Chicão, Castán e Fábio Santos; a primeira linha de três era formada por Ralf, Alex e Paulinho, e por fim Jorge Henrique, Danilo e Emerson Sheik encerravam a linha mais avançada. Todos atrás da linha da bola, fechando os espaços do campo, sem dar chance ao time da baixada.

O Corinthians valorizou a posse de bola, porém, abusou da velocidade de seus jogadores pelas laterais do campo, sendo mais efetivo do que o Santos com a bola no pé, fechando melhor os espaços sem a bola. Isso sem falar no empenho tático dos jogadores do Parque São Jorge que conseguiram manter este esquema durante os 90 minutos.

Já o Santos teve muita dificuldade de produzir com a bola no pé, embora tinha a posse de bola, não conseguia encontrar espaço para seus jogadores criarem alguma situação de perigo contra o oponente. Taticamente o Santos foi o mesmo de sempre com seu 4-4-2 sem novidades, nem variações estratégicas em campo, o que facilitou a marcação corintiana, que se preparou para este tipo de jogo.

Sem nenhuma surpresa, o Santos foi anulado. Existiu uma tentativa do técnico Muricy ao colocar Borges no lugar de Elano, dando assim maior liberdade para Arouca, e conseqüentemente, aumentando o poder de finalização com dois jogadores de área – Kardek e Borges, com Neymar livre para criar, mas de nada adiantou. O Santos até agrediu, mas parou na boa atuação de Cássio, que fez três grandes defesas, além das ótimas saídas de gol, tirando assim qualquer chance do alvinegro praiano nas bolas aéreas.

O Santos teve maior posse de bola, mas não tinha espaço para converter em gols essa vantagem. A equipe foi paciente quando tinha a bola, mas o Corinthians não alterava sua marcação com a troca de passes do time da casa. Teoricamente, o Santos fez tudo certo. O time colocou em prática tudo o que aprendeu com a derrota contra o Barcelona no Mundial, mas não encontrou espaços na primeira partida.

Acredito que seja tolice querer montar um time como o Barcelona ou a Seleção da Espanha, pois são times que têm um elenco com condições de jogar daquela forma. Não dá para pensar que o Santos teria a mesma eficiência que os catalães, jogando com o mesmo esquema tático, pois os jogadores têm características muito diferentes.

Podemos usar como exemplo, o Ganso: um excepcional jogador que, no entanto, não conseguiria jogar no esquema tático do Barcelona, já que é lento na marcação e na recomposição tática. No Barça, provavelmente, não conseguiria fazer a marcação sob pressão, feita por todos os jogadores da equipe, o que destruiria a marcação e daria espaço para o adversário. 

Já o Corinthians tem algo em comum com o Barcelona. Não jogou essa última partida contra o Santos com um centroavante fixo na área, mas também não deixou de fazer a marcação no meio campo, atrás da linha da bola, como de costume, fazendo marcação em zona de modo muito eficiente, conseguindo anular Neymar, sem que fosse necessária uma marcação especial (que é a maior burrice!).

Acredito que para se montar um time eficiente taticamente não se deve copiar o esquema tático de outra equipe, pois aquele esquema funciona com jogadores de características específicas. Por esse motivo gosto do esquema tático de Tite: ele montou um esquema para o time, respeitando as características de seus jogadores e adequando esse esquema, quando necessário, ao adversário.

Enquanto que Muricy montou o Santos privilegiando o maior nome do futebol brasileiro na atualidade, Neymar. Não que ele esteja errado, está certo, afinal é um jogador decisivo e tem resolvido o problema do Santos na maioria das partidas. O único problema é que quando ele não consegue jogar o que todos esperam, por vários motivos (no caso da primeira partida, foi a boa marcação do time adversário), o resultado é frustrante.


Ainda assim, com o talento que tem Neymar, é possível que ele possa resolva o caso nesta noite, pois só existe uma coisa que acaba com qualquer esquema tático – é o drible! No caso do Corinthians, com sua marcação por zona, significa pensar que se um jogador é deslocado de seu setor, outro necessariamente tem de cobri-lo, abrindo, desse modo, espaço para o adversário.

Bom, o que podemos esperar, portanto, é uma ótima partida. Acredito que o Corinthians tenha mais chances pela vantagem adquirida fora de casa e por seu comportamento tático em campo, até porque o Santos terá que se expor mais, dando ainda mais chance para alvinegro paulista

usar os contra-ataques.

Muricy deu uma declaração dizendo que a ausência do Sheik era um desfalque importante para o Corinthians, mas não concordo com o treinador. Tite tem peças de reposição que podem exercer a mesma função do atacante, mantendo o mesmo nível (Wiliam ou Liedson) e, por isso, acredito que essa alteração não vá mudar em nada o estilo de jogo da equipe.

Agora é só aguardar para ver qual vai ser o resultado.         

21 maio 2012

NOVA ORDEM MUNDIAL


A espera foi longa, mas enfim o Chelsea conseguiu escrever seu nome no Hall dos grandes times da história do futebol ao conquistar o tão cobiçado troféu da Uefa Champions League. O time do bilionário russo Roman Abramovich acabou com a virgindade em competições européias ao vencer nos pênaltis o Bayern de Munique, em pleno território adversário.

Com o triunfo, os londrinos, que há 9 anos foram adquiridos pelo magnata, podem ter sacramentado uma nova fase no futebol mundial e seus petrodólares, levando os empresários ao êxtase e os clubes formadores de jogadores ao desespero.

Durante a semana o clima entre os times esquentou quando o Presidente do conselho do Bayern de Munique, Uli Honnes afirmou: ‘’Fico furioso toda semana quando vou colocar gasolina em meu carro. A máfia do petróleo tira dinheiro do meu bolso e investe em jogadores.’’

E após duras batalhas contra Barcelona e Real Madrid, as equipes foram a campo recheados de desfalques. Do lado do Chelsea as ausências foram em diversos setores da equipe (Raul Meireles, Ramires, Terry e Ivanovic), enquanto que os bávaros sofriam com baixas centralizadas no setor defensivo (Badstuber, Alaba e Luiz Gustavo)

Os técnicos não inventaram e fizeram as mexidas mais esperadas. Pelo lado azul, Di Matteo promoveu a entrada de David Luiz e Bosingwa para completar a retranca, com Kalou e Bertand completando os 11 titulares.

Pelos vermelhos, Jupp Heynckes lançou  o volante Tymoschchuk na zaga, Contento na lateral e Kroos no meio. Em minha opinião, colocaria o brasuca Rafinha na lateral direita, deslocando Lahm para a esquerda, ao invés de colocar Contento que é muito marcador. 

O jogo foi um massacre alemão, principalmente na segunda etapa, um jogo de um time só, os Blues raramente chegavam ao ataque. Drogba estava completamente sozinho no ataque.

As ausências de Ramires e Meireles foram muito sentidas no meio, já que Kalou e Bertrand são muito fracos e não produziram nada de efetivo.

Na zaga, Bosingwa e David Luiz fizeram o feijão com arroz, embora o brasileiro tenha butinado um bocado durante a partida. Mas os destaques vinham sendo Peter Cech, uma muralha e o zagueiro Cahill, que neutraliza a tudo e a todos que chegavam próximo da área londrina.

Embora tenha dominado por completo a partida, o Bayern foi contido com certa tranqüilidade pelo ferrolho montado pelo técnico Di Matteo. A equipe bávara já estava manjada, tendo em vista, que baseia quase todas suas jogadas em Ribery e Robben que normalmente resolvem na base da técnica e velocidade.

O jogo foi sonolento, chegando a ser chato em alguns momentos, embora tenha melhorado um pouco nos instantes finais da partida. Era inevitável sonhar com uma final entre catalães e merengues.

Grande parte desses momentos de emoção foram proporcionados por Mário Gomes, o Super Mário, que levantava a torcida ao desfilar toda sua ‘’categoria’’ em campo. O jogador se mostrou um brucutu dos grandes, sem técnica alguma, com dificuldades extremas ao dominar as bolas, além de sua peculiar lentidão, mas o seu faro apurado de matador não estava em dia, rifando diversas oportunidades.  

A incompetência bávara para marcar um gol assustava, até que aos 38 da segunda etapa, eles conseguiram estufar as redes com Muller, aproveitando cruzamento e abrindo o placar em um tento um tanto quanto estranho, levando a crer que Cech tenha falhado, já que parecia ser uma bola defensável.

Com o gol, a torcida local veio a baixo, já que faltavam poucos minutos para acabar a partida e não havia apreensão com o adversário que não assustava em nada. Até que o ditado ‘’quem não faz toma’’ demorou a chegar, mas chegou com juros e correção. O atacante Drogba aos 43, finalizou com uma senhora cabeçada o único escanteio e chance da equipe.

Com a ducha de água fria, os alemães foram para a prorrogação mantendo o domínio predominante durante a partida. Até que Ribery cai na área, gerando um pênalti contestável, no meu caso não daria, mas depende da interpretação. O curioso quem fez foi Drogba, o mais aguerrido e esforçado jogador dos Blues. Na cobrança Robben bateu mal e Cech com muita frieza deu continuidade ao sonho dos londrinos. 

Totalmente abalado psicologicamente pelo gol tomado no fim e pelo pênalti perdido na prorrogação, o Bayern foi para a cobrança de pênaltis. Cech, o melhor goleiro do mundo atualmente, defendeu as cobranças de Olic e Schweinsteiger e sacramentou o destino da taça: Londres. 

Méritos para o batalhão azul que nos últimos 3 jogos foi massacrado impiedosamente, mas resistiu e conseguiu sair com a vitória. Aplausos para o interino Di Matteo que soube se fechar com os jogadores e levou um time desacreditado a um título que parecia improvável, caso estivesse com o ‘rebelde’ Villas Boas.

Agora resta sabermos quem será o adversário do Chelsea na final do Mundial, mas uma coisa já sabemos terão muito trabalho para marcar um gol.

27 março 2012

Com público cada vez menor, clube da Série B italiana apela para ''arquibancada virtual''

Essa matéria é antiga, voltei alguns anos em meu acervo, mais precisamente à 2010 para relembrar o quanto os dirigentes podem ser criativos na hora de vender seu peixe em rede nacional. Dê uma olhada na foto e veja se não há alguma coisa estranha? A torcida parece um pouco apertada, não é.

O Triestina, clube italiano que disputava (e ainda disputa) a Série B do Cálcio, vinha sofrendo com a baixa adesão de seu público nos jogos do Campeonato Nacional. Seu estádio Nereo Rocco com capacidade para 32.454 lugares, só recebia em média 10% de sua capacidade, permanecendo quase sempre vazio.

Foi quando a diretoria resolveu colocar em prática uma tática ousada e no mínimo, inusitada, para atrair mais atenção para o time e seus fãs. Eles imprimiram um painel gigante com fotos de torcedores e o colocaram por cima das cadeiras. O visual fica parecido com as arquibancadas de videogame, com todo mundo achatado vendo o jogo, dando a falsa impressão de casa cheia.

A ‘decoração’ foi utilizada na vitória sobre o Pescara por 1x0 realizado no dia 5 de setembro do mesmo ano. A 'arquibancada virtual' foi colocada estrategicamente em frente às câmeras.

Embora tenham apelado para esse artifício, a média de público até que não era das piores, no Brasil, por exemplo, o São Caetano registrou nas primeiras quatro partidas da Série B do ano passado, uma média de inacreditáveis 440 pessoas por jogo, algo que ao longo do Campeonato não mudou muito.

Mas recorde, o inacreditável, ocorreu mesmo no jogo entre São José e Foz do Iguaçu válido pelo Campeonato Paranaense da Segunda Divisão, o público presente foi...... ZERO. Ninguém se arriscou a enfrentar um frio de 5°C somado a chuva que caiu na região metropolitana de Curitiba. O curioso é que o São José bateu o próprio recorde que tinha sido registrado contra a Portuguesa Londrinense que contou com TRÊS fanáticos.

Falando no clube do ABC, a estratégia poderia ser utilizada de maneira recorrente já que eles desconhecem as palavras ‘’casa cheia’’, jogando sempre as moscas, a exceção quando enfrenta um time mais conhecido. Sem mencionar que a maioria dos membros de sua torcida Bengala Azul possui mais idade que muitos clubes brasileiros.

22 março 2012

Ataque cheio, cozinha vazia

Procura-se jogador veloz, que ataque e defenda na mesma intensidade, saiba cruzar e se possível que marque alguns golzinhos, assim como jogador alto, que tenha noção de posicionamento, tenha um bom desarme, antecipação e jogo aéreo, se tiver habilidade será diferenciado para atuar como lateral e zagueiro, respectivamente. Se você preenche esses requisitos procure uma categoria de base no Brasil, pois meu amigo você será quase uma miragem para eles.

Uma pergunta que muitas pessoas fazem é como o Brasil consegue revelar tantos jogadores se o investimento é deficitário e mal planejado? Várias são as teorias: ‘dom natural dos jogadores’, agentes e olheiros atuantes. Ainda que com esses problemas conseguimos ter nomes como Neymar, Lucas, Damião, Dedé e Oscar.

Mas mesmo assim um fenômeno tem chamado a atenção, nunca estivemos com uma safra tão pobre e escassa de zagueiros e laterais. Será que falta mão de obra especializada ou falta comunicação entre quem comanda as categorias de base dos clubes e dirigentes do departamento profissional que deveriam solicitar tal demanda, a famosa lei da oferta e da demanda.

Depois de Cafu e Roberto Carlos, por exemplo, a Seleção Brasileira nunca mais conseguiu encontrar dois laterais que fossem tão dominantes e seguros em sua posição, assim como em nossos clubes, que também não conseguem se acertar (o Santos teve que buscar o uruguaio Fucile para suprir a saída de Danilo).

Atualmente, alguns jogadores têm conseguido certo destaque como Cicinho do Palmeiras (que não é uma revelação, pois já rodou um bocado), Fágner do Vasco (tem idade olímpica e na minha opinião um dos que tem mais potencial), Cortez do São Paulo (era conhecido como Bruno Negão e era atacante no começo da carreira, até se firmar na lateral), mas, que não inspiram confiança, por exemplo, com a camisa amarela numa Copa do Mundo!

Embora tenha feito uma temporada regular no ano passado, não há discussão que o melhor lateral-direito no Brasil há tempos é Leonardo Moura do Flamengo, que completará em outubro 34 anos e já não serve para a Seleção. Logo, se há uma enorme falta de bons jogadores para essas posições, por que então não começar a formá-los desde lá de baixo?

Não adianta só termos bons meias ou atacantes, o futebol moderno mostra que é preciso saber marcar, apoiar e os laterais (ou alas como queiram), hoje são de suma importância, vide Dani Alves no Barcelona.

Enfim, será que nesse monstruoso universo de garotos que têm o sonho de um dia se tornarem jogadores, que lotam as escolinhas, as peneiras de centenas de clubes espalhados pelo Brasil, não é possível que todos eles queiram ser apenas meias e atacantes.

Ou será? É quase um fato que ninguém quer atuar como zagueiro e lateral, pois todos os garotos que surgem estão em busca de fama e dinheiro e convenhamos isso leva um pouco mais de tempo se você atua em posições dos chamados operários da bola. Os laterais ou alas, hoje em dia são fundamentais para quase todo esquema que se preze e até conseguem marcar seus golzinhos e aparecer com destaque. Mas o que todos querem é gol, passe para o companheiro e é isso que os jovens buscam, fama rápida, e isso vem para os jogadores que atuam na linha de frente.

Como não relacionar o sucesso repentino de jogadores como Abuda e Jô, por exemplo, que fizeram fama rapidamente pelos gols e por conta da idade e a demora para a consagração dos volantes Paulinho e Wellington, hoje peça chave, embora esteja machucado no São Paulo, que embora venham se destacando há tempos, somente hoje recebem o respeito que merecem. Parece que o pensamento arcaico que quem tem de jogar como zagueiro são os mais fracos tecnicamente, ainda prevalece. Até os goleiros tem seu momento de glória como uma defesa ou outra.

O futebol brasileiro está seguindo o caminho do Leste Europeu, afinal, é preciso investir cada vez mais nas categorias de base e não ficar comprando jogadores medianos por verdadeiras fábulas.

Destaco nesse texto o livro ‘’O Jogo da Minha Vida: Histórias e Reflexões de um Atleta’’ do zagueiro do Corinthians, Paulo André. Além de ser uma leitura obrigatória para quem gosta, nem digo muito, o mínimo de futebol, o livro narra as dificuldades encaradas pelos jovens ao ingressar nesse meio em que pouquíssimos se destacam e muitos ficam pelo caminho. Desde as exaustivas concentrações sob o ponto de vista dos atletas, a saída precoce de casa, as responsabilidades e todo o caminho das pedras em busca da glória como atleta e homem.

É interessante em um dos trechos a sagacidade e malícia que Paulo André utiliza para conseguir uma sobrevida em uma das peneiras promovida pelo São Paulo. Ao chegar ao Morumbi ele se senta em último na fila de jogadores que iriam participar do teste e nota que a quantidade de meias e atacantes é bem superior ao de zagueiros e ao ser perguntado sobre sua posição, instintivamente levado pelo instinto de sobrevivência responde zagueiro (embora nunca tenha atuado na posição, na época se destacava como meia-atacante) para dar prosseguimento ao seu sonho. O que às vezes parece faltar para alguns.

08 março 2012

Galvão Bueno afirma que a Copa da África do Sul foi sua penúltima

O narrador da TV Globo, Galvão Bueno, anunciou que a Copa da África do Sul foi a penúltima de sua carreira. Galvão pretende se aposentar após o Mundial de 2014, que será disputado no Brasil. Esse foi o décimo Mundial que ele narrou. Sua carreira em Copas do Mundo começou em 1974, na Copa da Alemanha, mas Galvão não gosta de contá-la por ter feito suas narrações do Brasil.

Após a vitória da Espanha na final da Copa do Mundo da África do Sul, Galvão estava visivelmente emocionado e relembrou os títulos brasileiros como os momentos mais emocionantes de todas os Mundiais que participou.

- A decepção da derrota para a Argentina em 90 foi muito forte, mas aquela final de 94, foi inesquecível. Aquela coisa maluca do Pelé puxando de um lado, o Arnaldo puxando do outro e a voz que já não vinha e gritava que acabou, que é tetra, uma coisa muito louca. O Pelé chutava minha canela para tentar consertar os chutes dos jogadores brasileiros, não dá para esquecer. E depois a volta por cima do meu querido amigo Ronaldo Fenômeno. Essas duas últimas Copas, deixa pra lá, passa régua – lembrou Galvão.

Algumas de suas frases célebres:

‘’O Duda tomou um cartão amarelo porque queria um vermelho’’

‘’... está mais ou menos tudo errado aqui...’’ durante o jogo entre Brasil x Peru.

‘’O Fluminense vem de uma sequência de duzentas vitórias, sem contar a última derrota para a LDU.’’

‘’A imagem que você acabou de ver aí foi de um fã da F-1, o grande tenor Plácido Iglesias!’’. Misturando as bolas entre o tenor Plácido Domingo com o cantor Julio Iglesias

‘’Olha a torcida da Espanha gritando: Olé!, Olé!, Olé!’’. Enquanto que a torcida da Holanda gritava Holland!, Holland! Holland!.

‘’Essa chuva de Interlagos foi parecida com a de Silverstone, ambas tinham água...’’

‘’A seleção brasileira prioriza o coletivo e a individualidade’’

‘’Da onde foi o cruzamento, pra fazer a volta por trás só se a bola tivesse um elástico’’ Arnaldo: ‘’Mas a bola saiu sim’’, Galvão bravo: ‘’Não é possível! A Física não permite!’’.

Mas não estaremos órfãos por muito tempo, Cléber Machado foi muito bem treinado:

‘’E agora o hino nacional do estado do Rio Grande do Sul’’

‘’Porque o mundo mudou. Porque hoje você espirra e você não ouve mais saúde do cara que ta do lado: O Mundo te deseja saúde ou não’’ Ao mestre com carinho.

‘’Há uma discussão muito pontual. A pontualidade faz parte, não tenha dúvida. Você não pode esquecer. É pontual... brinquei da crise aérea, houve uma crise aérea? Houve. A vida inteira? Não. Todo o tempo que o Brasil teve transporte aéreo houve crise? Não, mas houve uma? Houve. A discussão é pontual? É... mas não é! É estrutural’’. Me perdi no segundo é pontual.

29 fevereiro 2012

Jornal britânico utiliza fotos para ilustrar partida após proibição de fotos no estádio

Voltando um pouco no tempo, uma matéria bem interessante e marcante que aconteceu no ano de 2010 foi sobre o Southampton, clube inglês que na época disputava a Terceira Divisão local.

Uma briga envolvendo o time e a imprensa britânica roubou os holofotes na Europa. Tudo porque, os dirigentes restringiram o acesso dos fotógrafos ao interior do estádio St.Mary's em dias de jogos. Tal atitude obrigou o jornal ''The Herald Plymouth'' a usar a sua criatividade, ao invés de utilizar as fotos das partidas, o diário optou por fazer ilustrações em suas páginas, para tentar chamar a atenção para o problema.

Dessa forma, o jornal contratou o cartunista Chris Robinson para representar as fotos, como as da partida na qual o Plymouth Argyle venceu o Southampton por 1 a 0, no estádio St.Mary's. seus desenhos mostram Luke Summerfield fazendo o gol da vitória.

O Southampton queria obrigar os jornais a comprarem imagens oficiais, produzidas por uma empresa contratada. A Sociedade de Editores de Southampton descreveu a decisão como ''absolutamente ridícula''. Segundo argumento do clube, a medida era para proteger as receitas comerciais do clube derivadas da utilização de suas imagens. Para Bob Satchwell, da mesma sociedade, os jornais são os maiores divulgadores dos clubes.

- Isso é um absurdo. Os jornais sempre fizeram a cobertura. É uma relação que sempre agradou os dois lados. A cobertura também faz a publicidade para os clubes - disse na época.

13 fevereiro 2012

Fortunas perdidas

O discutido calendário do futebol brasileiro impede que os clubes lucrem alto em turnês pelo mundo, além de atrair mais torcedores, eventualmente, aumentando sua receita. Como consequencia, outros representantes das Américas ganharam espaço em torneios amistosos. Foi o que houve com Boca Juniors e River Plate da Argentina, LDU (EQU) e América (MÉX).

Com o início da era dos pontos corridos, em 2003, as viagens para tais competições que já eram difíceis, se tornaram inviáveis. Até então, o Brasileirão iniciava em agosto, o que permitia aos clubes enfrentar gigantes europeus em pré-temporada.

O Atlante, por exemplo, equipe mexicana de segundo escalão, faturou em 2009, 600 mil euros só por jogar a Copa da Paz, realizada na Espanha. O torneio reuniu 12 clubes de todo o mundo – entre eles Real Madrid e Juventus.

O Internacional foi uma das exceções. Em janeiro de 2008, disputou a Copa Dubai, nos Emirados Árabes. Ganhou do Stuttgart e Internazionale, faturando o caneco e US$ 1 milhão em premiação.

Para o especialista em marketing esportivo Fábio Wolff, da Wolff Sports and Marketing, a exposição internacional dos clubes chega a ser mais importante do que o valor recebido como premiação.

‘’É o que ocorre quando clubes europeus vão jogar na Ásia. Aumenta seus ganhos com franquias, lojas e produtos licenciados. Também estimula a compra de direitos de transmissão.’’

O resultado disso tudo é que clubes como LDU e Atlante acabam roubando esse espaço, que poderia ser dos brasileiros, e tem a chance de disputar torneios com o Real Madrid, por exemplo.

Mas há quem seja contra essa mudança. O ex-superintendente do São Paulo e agora vereador, Marco Aurélio Cunha, defende o calendário no quesito social. ‘’Sou contra. Como o jogador viajaria com seus filhos em Abril? Ou ainda a questão das férias dos jogadores, que seriam no inverno’’. Mas propõe uma saída alternativa, a criação de uma janela para viagens e excursões, dando uma pausa nas competições o que coincidiria com a pré-temporada dos clubes europeus.

Fonte: Jornal Lance!