
A preocupação com a segurança, em especial em Argel, capital da Argélia, é impressionante, menos pela violência urbana, praticamente inexistente, e muito mais pelo terrorismo. Grandes ataques nas últimas décadas levaram medo à Argélia e provocaram o êxodo de milhares de pessoas. A consequencia disso foi o surgimento de uma geração de argelinos nascida no exterior.
Alguns deles estarão em campo representando o país na Copa do Mundo da África do Sul. Nas últimas convocações da seleção, 15 jogadores “estrangeiros” foram chamados. Não se trata de naturalização ou de oportunismo, mas de pessoas que simplesmente não tiveram o direito de nascer em seu próprio país.
É o caso de nomes importantes como Mansouri, capitão do time, Meghni, do Lazio, Ziani, do Wolfsburg, e Ghezzal, do Siena, todos filhos de imigrantes que se mudaram para a França. A antiga metrópole está a apenas duas horas de avião e atrai muitos argelinos em busca, principalmente, de prosperidade ou segurança.
Mas essa distância parece ter reforçado a identidade desses jogadores. Mesmo sem ser um grande time, a Argélia conquistou uma vaga na Copa depois de 24 anos ao superar o Egito, atual tricampeão africano, em uma partida desempate. E naquela oportunidade o que saltou aos olhos, muito mais do que a técnica, foi à entrega da equipe.
Rabah Saadane, o treinador que levou a Argélia à sua terceira Copa do Mundo, foi o mesmo que comandou a seleção no Mundial de 1986, quando os africanos foram derrotados pelo Brasil por 1 a 0. Aquele era a segunda Copa consecutiva do país, que vivia a melhor fase de seu futebol. Em 1990, a Argélia ainda conquistou o título continental pela primeira vez, mas, depois disso, o esporte entrou em colapso por causa da violência.
'O terrorismo prejudicou toda a sociedade e, é claro, atingiu também o futebol. Com tantas coisas mais importantes para se preocupar, as pessoas deixaram o esporte um pouco de lado e o nosso futebol sofreu uma grande queda' conta Saadane.
Aos poucos, os clubes se enfraqueceram e as categorias de base tiveram mais dificuldade para revelar talentos.
'Muita gente foi embora da Argélia e ficou difícil formar novos jogadores. Não havia mais pais dispostos a deixar seus filhos
em escolinhas, com medo de que acontecesse alguma coisa. As pessoas também pararam de ir aos estádios e os clubes foram perdendo dinheiro. Mas felizmente isso começa a mudar' conta Noureddin Saadi, técnico do USMA, um clube popular de Argel.
Apesar de ser um país com qualidade de vida razoável - é o sexto melhor da África segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - e dos esforços do governo para coibir os atentados, a Argélia ainda sofre. Em dezembro de 2007, um ataque reivindicado por radicais islâmicos ligados à rede Al Qaeda matou pelo menos 45 pessoas em Argel.No ano seguinte, o mais grave matou 43 pessoas em Issers.
A Copa do Mundo é, portanto, uma ótima oportunidade para o país melhorar sua imagem. Ao entrarem em campo, nascidos ou não em território argelino, os jogadores sabem que terão a chance de representar a maioria absoluta da população - um povo gentil, acolhedor e apaixonado por futebol.
Alguns deles estarão em campo representando o país na Copa do Mundo da África do Sul. Nas últimas convocações da seleção, 15 jogadores “estrangeiros” foram chamados. Não se trata de naturalização ou de oportunismo, mas de pessoas que simplesmente não tiveram o direito de nascer em seu próprio país.
É o caso de nomes importantes como Mansouri, capitão do time, Meghni, do Lazio, Ziani, do Wolfsburg, e Ghezzal, do Siena, todos filhos de imigrantes que se mudaram para a França. A antiga metrópole está a apenas duas horas de avião e atrai muitos argelinos em busca, principalmente, de prosperidade ou segurança.
Mas essa distância parece ter reforçado a identidade desses jogadores. Mesmo sem ser um grande time, a Argélia conquistou uma vaga na Copa depois de 24 anos ao superar o Egito, atual tricampeão africano, em uma partida desempate. E naquela oportunidade o que saltou aos olhos, muito mais do que a técnica, foi à entrega da equipe.
Rabah Saadane, o treinador que levou a Argélia à sua terceira Copa do Mundo, foi o mesmo que comandou a seleção no Mundial de 1986, quando os africanos foram derrotados pelo Brasil por 1 a 0. Aquele era a segunda Copa consecutiva do país, que vivia a melhor fase de seu futebol. Em 1990, a Argélia ainda conquistou o título continental pela primeira vez, mas, depois disso, o esporte entrou em colapso por causa da violência.
'O terrorismo prejudicou toda a sociedade e, é claro, atingiu também o futebol. Com tantas coisas mais importantes para se preocupar, as pessoas deixaram o esporte um pouco de lado e o nosso futebol sofreu uma grande queda' conta Saadane.
Aos poucos, os clubes se enfraqueceram e as categorias de base tiveram mais dificuldade para revelar talentos.
'Muita gente foi embora da Argélia e ficou difícil formar novos jogadores. Não havia mais pais dispostos a deixar seus filhos
em escolinhas, com medo de que acontecesse alguma coisa. As pessoas também pararam de ir aos estádios e os clubes foram perdendo dinheiro. Mas felizmente isso começa a mudar' conta Noureddin Saadi, técnico do USMA, um clube popular de Argel.Apesar de ser um país com qualidade de vida razoável - é o sexto melhor da África segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - e dos esforços do governo para coibir os atentados, a Argélia ainda sofre. Em dezembro de 2007, um ataque reivindicado por radicais islâmicos ligados à rede Al Qaeda matou pelo menos 45 pessoas em Argel.No ano seguinte, o mais grave matou 43 pessoas em Issers.
A Copa do Mundo é, portanto, uma ótima oportunidade para o país melhorar sua imagem. Ao entrarem em campo, nascidos ou não em território argelino, os jogadores sabem que terão a chance de representar a maioria absoluta da população - um povo gentil, acolhedor e apaixonado por futebol.
Fonte:Globoesporte.com
Um comentário:
Vamos torcer p/que a Copa do Mundo traga um pouco de alegria e tranquilidade a esse pobre povo.
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