27 março 2012

Com público cada vez menor, clube da Série B italiana apela para ''arquibancada virtual''

Essa matéria é antiga, voltei alguns anos em meu acervo, mais precisamente à 2010 para relembrar o quanto os dirigentes podem ser criativos na hora de vender seu peixe em rede nacional. Dê uma olhada na foto e veja se não há alguma coisa estranha? A torcida parece um pouco apertada, não é.

O Triestina, clube italiano que disputava (e ainda disputa) a Série B do Cálcio, vinha sofrendo com a baixa adesão de seu público nos jogos do Campeonato Nacional. Seu estádio Nereo Rocco com capacidade para 32.454 lugares, só recebia em média 10% de sua capacidade, permanecendo quase sempre vazio.

Foi quando a diretoria resolveu colocar em prática uma tática ousada e no mínimo, inusitada, para atrair mais atenção para o time e seus fãs. Eles imprimiram um painel gigante com fotos de torcedores e o colocaram por cima das cadeiras. O visual fica parecido com as arquibancadas de videogame, com todo mundo achatado vendo o jogo, dando a falsa impressão de casa cheia.

A ‘decoração’ foi utilizada na vitória sobre o Pescara por 1x0 realizado no dia 5 de setembro do mesmo ano. A 'arquibancada virtual' foi colocada estrategicamente em frente às câmeras.

Embora tenham apelado para esse artifício, a média de público até que não era das piores, no Brasil, por exemplo, o São Caetano registrou nas primeiras quatro partidas da Série B do ano passado, uma média de inacreditáveis 440 pessoas por jogo, algo que ao longo do Campeonato não mudou muito.

Mas recorde, o inacreditável, ocorreu mesmo no jogo entre São José e Foz do Iguaçu válido pelo Campeonato Paranaense da Segunda Divisão, o público presente foi...... ZERO. Ninguém se arriscou a enfrentar um frio de 5°C somado a chuva que caiu na região metropolitana de Curitiba. O curioso é que o São José bateu o próprio recorde que tinha sido registrado contra a Portuguesa Londrinense que contou com TRÊS fanáticos.

Falando no clube do ABC, a estratégia poderia ser utilizada de maneira recorrente já que eles desconhecem as palavras ‘’casa cheia’’, jogando sempre as moscas, a exceção quando enfrenta um time mais conhecido. Sem mencionar que a maioria dos membros de sua torcida Bengala Azul possui mais idade que muitos clubes brasileiros.

22 março 2012

Ataque cheio, cozinha vazia

Procura-se jogador veloz, que ataque e defenda na mesma intensidade, saiba cruzar e se possível que marque alguns golzinhos, assim como jogador alto, que tenha noção de posicionamento, tenha um bom desarme, antecipação e jogo aéreo, se tiver habilidade será diferenciado para atuar como lateral e zagueiro, respectivamente. Se você preenche esses requisitos procure uma categoria de base no Brasil, pois meu amigo você será quase uma miragem para eles.

Uma pergunta que muitas pessoas fazem é como o Brasil consegue revelar tantos jogadores se o investimento é deficitário e mal planejado? Várias são as teorias: ‘dom natural dos jogadores’, agentes e olheiros atuantes. Ainda que com esses problemas conseguimos ter nomes como Neymar, Lucas, Damião, Dedé e Oscar.

Mas mesmo assim um fenômeno tem chamado a atenção, nunca estivemos com uma safra tão pobre e escassa de zagueiros e laterais. Será que falta mão de obra especializada ou falta comunicação entre quem comanda as categorias de base dos clubes e dirigentes do departamento profissional que deveriam solicitar tal demanda, a famosa lei da oferta e da demanda.

Depois de Cafu e Roberto Carlos, por exemplo, a Seleção Brasileira nunca mais conseguiu encontrar dois laterais que fossem tão dominantes e seguros em sua posição, assim como em nossos clubes, que também não conseguem se acertar (o Santos teve que buscar o uruguaio Fucile para suprir a saída de Danilo).

Atualmente, alguns jogadores têm conseguido certo destaque como Cicinho do Palmeiras (que não é uma revelação, pois já rodou um bocado), Fágner do Vasco (tem idade olímpica e na minha opinião um dos que tem mais potencial), Cortez do São Paulo (era conhecido como Bruno Negão e era atacante no começo da carreira, até se firmar na lateral), mas, que não inspiram confiança, por exemplo, com a camisa amarela numa Copa do Mundo!

Embora tenha feito uma temporada regular no ano passado, não há discussão que o melhor lateral-direito no Brasil há tempos é Leonardo Moura do Flamengo, que completará em outubro 34 anos e já não serve para a Seleção. Logo, se há uma enorme falta de bons jogadores para essas posições, por que então não começar a formá-los desde lá de baixo?

Não adianta só termos bons meias ou atacantes, o futebol moderno mostra que é preciso saber marcar, apoiar e os laterais (ou alas como queiram), hoje são de suma importância, vide Dani Alves no Barcelona.

Enfim, será que nesse monstruoso universo de garotos que têm o sonho de um dia se tornarem jogadores, que lotam as escolinhas, as peneiras de centenas de clubes espalhados pelo Brasil, não é possível que todos eles queiram ser apenas meias e atacantes.

Ou será? É quase um fato que ninguém quer atuar como zagueiro e lateral, pois todos os garotos que surgem estão em busca de fama e dinheiro e convenhamos isso leva um pouco mais de tempo se você atua em posições dos chamados operários da bola. Os laterais ou alas, hoje em dia são fundamentais para quase todo esquema que se preze e até conseguem marcar seus golzinhos e aparecer com destaque. Mas o que todos querem é gol, passe para o companheiro e é isso que os jovens buscam, fama rápida, e isso vem para os jogadores que atuam na linha de frente.

Como não relacionar o sucesso repentino de jogadores como Abuda e Jô, por exemplo, que fizeram fama rapidamente pelos gols e por conta da idade e a demora para a consagração dos volantes Paulinho e Wellington, hoje peça chave, embora esteja machucado no São Paulo, que embora venham se destacando há tempos, somente hoje recebem o respeito que merecem. Parece que o pensamento arcaico que quem tem de jogar como zagueiro são os mais fracos tecnicamente, ainda prevalece. Até os goleiros tem seu momento de glória como uma defesa ou outra.

O futebol brasileiro está seguindo o caminho do Leste Europeu, afinal, é preciso investir cada vez mais nas categorias de base e não ficar comprando jogadores medianos por verdadeiras fábulas.

Destaco nesse texto o livro ‘’O Jogo da Minha Vida: Histórias e Reflexões de um Atleta’’ do zagueiro do Corinthians, Paulo André. Além de ser uma leitura obrigatória para quem gosta, nem digo muito, o mínimo de futebol, o livro narra as dificuldades encaradas pelos jovens ao ingressar nesse meio em que pouquíssimos se destacam e muitos ficam pelo caminho. Desde as exaustivas concentrações sob o ponto de vista dos atletas, a saída precoce de casa, as responsabilidades e todo o caminho das pedras em busca da glória como atleta e homem.

É interessante em um dos trechos a sagacidade e malícia que Paulo André utiliza para conseguir uma sobrevida em uma das peneiras promovida pelo São Paulo. Ao chegar ao Morumbi ele se senta em último na fila de jogadores que iriam participar do teste e nota que a quantidade de meias e atacantes é bem superior ao de zagueiros e ao ser perguntado sobre sua posição, instintivamente levado pelo instinto de sobrevivência responde zagueiro (embora nunca tenha atuado na posição, na época se destacava como meia-atacante) para dar prosseguimento ao seu sonho. O que às vezes parece faltar para alguns.

08 março 2012

Galvão Bueno afirma que a Copa da África do Sul foi sua penúltima

O narrador da TV Globo, Galvão Bueno, anunciou que a Copa da África do Sul foi a penúltima de sua carreira. Galvão pretende se aposentar após o Mundial de 2014, que será disputado no Brasil. Esse foi o décimo Mundial que ele narrou. Sua carreira em Copas do Mundo começou em 1974, na Copa da Alemanha, mas Galvão não gosta de contá-la por ter feito suas narrações do Brasil.

Após a vitória da Espanha na final da Copa do Mundo da África do Sul, Galvão estava visivelmente emocionado e relembrou os títulos brasileiros como os momentos mais emocionantes de todas os Mundiais que participou.

- A decepção da derrota para a Argentina em 90 foi muito forte, mas aquela final de 94, foi inesquecível. Aquela coisa maluca do Pelé puxando de um lado, o Arnaldo puxando do outro e a voz que já não vinha e gritava que acabou, que é tetra, uma coisa muito louca. O Pelé chutava minha canela para tentar consertar os chutes dos jogadores brasileiros, não dá para esquecer. E depois a volta por cima do meu querido amigo Ronaldo Fenômeno. Essas duas últimas Copas, deixa pra lá, passa régua – lembrou Galvão.

Algumas de suas frases célebres:

‘’O Duda tomou um cartão amarelo porque queria um vermelho’’

‘’... está mais ou menos tudo errado aqui...’’ durante o jogo entre Brasil x Peru.

‘’O Fluminense vem de uma sequência de duzentas vitórias, sem contar a última derrota para a LDU.’’

‘’A imagem que você acabou de ver aí foi de um fã da F-1, o grande tenor Plácido Iglesias!’’. Misturando as bolas entre o tenor Plácido Domingo com o cantor Julio Iglesias

‘’Olha a torcida da Espanha gritando: Olé!, Olé!, Olé!’’. Enquanto que a torcida da Holanda gritava Holland!, Holland! Holland!.

‘’Essa chuva de Interlagos foi parecida com a de Silverstone, ambas tinham água...’’

‘’A seleção brasileira prioriza o coletivo e a individualidade’’

‘’Da onde foi o cruzamento, pra fazer a volta por trás só se a bola tivesse um elástico’’ Arnaldo: ‘’Mas a bola saiu sim’’, Galvão bravo: ‘’Não é possível! A Física não permite!’’.

Mas não estaremos órfãos por muito tempo, Cléber Machado foi muito bem treinado:

‘’E agora o hino nacional do estado do Rio Grande do Sul’’

‘’Porque o mundo mudou. Porque hoje você espirra e você não ouve mais saúde do cara que ta do lado: O Mundo te deseja saúde ou não’’ Ao mestre com carinho.

‘’Há uma discussão muito pontual. A pontualidade faz parte, não tenha dúvida. Você não pode esquecer. É pontual... brinquei da crise aérea, houve uma crise aérea? Houve. A vida inteira? Não. Todo o tempo que o Brasil teve transporte aéreo houve crise? Não, mas houve uma? Houve. A discussão é pontual? É... mas não é! É estrutural’’. Me perdi no segundo é pontual.