
O melhor jogo do ano e um dos melhores clássicos dos últimos tempos, essas são algumas das definições que podem ser utilizadas para classificar a partida entre Santos e Palmeiras, na Vila Belmiro.
Após tantos jogos sonolentos e sem graça deste estadual (o que já virou rotina), os torcedores puderam presenciar um jogo entre duas equipes dispostas a vencer a qualquer custo.
De um lado os badalados Meninos da Vila, que praticamente classificados, jogavam em busca do título moral dos clássicos (venceu Sp e Corinthians) e pela manutenção da invencibilidade de 12 jogos. E do outro o instável e desesperado Palmeiras, que buscava a redenção ao enfrentar o até então ‘imbatível’ Santos.
Sabendo disso tudo, o Santos foi pra cima adiantando sua marcação, forçando o erro na saída de bola (que já não é das melhores) e usando de sua velocidade, obrigando o Palmeiras a distribuir bordoadas no começo da partida para tentar conter o ímpeto dos meninos (vale ressaltar que além de frágeis, são meio cai-cai).
E após erro na saída de bola com Pierre, o Santos abriu o marcador, por intermédio de um gol meio mandraque de Pará, que tentou cruzar e acabou matando a coruja, após desatenção de Marcos, dando início ao ‘outro’ espetáculo do dia, as danças.
Logo em seguida, o alvinegro aumentou o desespero palestrino ao chegar ao segundo gol, marcado por Neymar (artilheiro dos clássicos), que finalizou enrolando as duas pernas, após passe sensacional de Ganso. E poderia ter sido ainda pior se não fosse Marcos, defendendo chute fraco da Jóia santista (Neymar) e uma quase entregada do arqueiro após escanteio.
Quando parecia que ia sair uma avalanche de gols na meta de Marcos, eis que a história muda, a equipe que se apresentava nervosa, cometendo muitas faltas e que rifava toda bola que dominava, começou a se tornar uma equipe mais calma, com maior volume de jogo.
Com uma falta sofrida por Diego Souza, o time viu uma oportunidade de chegar ao gol adversário, e com um belo cruzamento de CX e falha do goleiro santista Felipe, Robert diminui o placar, revelando o caminho da mina para o Palmeiras, o jogo aéreo.
O empate aconteceu pouco mais de um minuto depois, após linda jogada de Diego Souza e Armero, que serviu Robert, o atacante bateu firme com a perna esquerda, levando ao delírio seus companheiros de equipe que extravasaram em tom de vingança, devolvendo a dança dos ‘’meninos’’, destaque para Diego Souza e Armero, o último com uma mistura de cumbia de Tevez com É o Tchan.
No segundo tempo, os papéis se alternaram e o Palmeiras passou a controlar a partida, jogando com tranquilidade, enquanto que o Santos começou a devolver as faltas sofridas no começo do jogo.
E através de outra jogada áerea e uma confusão geral na defesa e do próprio lance, o Palmeiras conseguiu a virada com Diego Souza e tome dança. Após o gol, AC promoveu a estréia de Lincoln no lugar de Ewerthon, para ganhar mais o meio de campo e toque de bola, com isso Diego Souza foi deslocado para o ataque.
Do lado santista, Dorival resolveu ir para o tudo ou nada, com mexidas ousadas colocou Maranhão, Madson e Zé Love nos lugares de Wesley, Marquinhos e André.
Com as mudanças o Santos retomou o controle que tinha no começo da partida e começou a pressionar a meta de Marcos, e após outro passe genial de Ganso, Madson entrou livre na área e igualou o marcador. Na comemoração, o catatau imitou um porco (na verdade, seria um leitãozinho), mas logo foi puxado por Neymar para dançar e não criar polêmica.
Quando parecia que o jogo ia para o espaço para o Palmeiras, eis que Neymar, que vinha tendo boa atuação, mostra todo seu destempero ao dar uma entrada dura em Pierre e ser expulso, minando as chances de virada santista.
Quando tudo caminhava para um empate, Arouca erra a saída de bola que acaba sobrando para Robert que acerta um canudo do meio da rua colocando o Verdão na frente novamente e fechando o placar, em outra falha grosseira do instável goleiro santista.
No geral, o jogo revelou um problema que vinha sendo mascarado na equipe do Santos, a fragilidade do sistema defensivo que fica muito exposto pelo excesso de ofensividade, mas como a equipe vem fazendo gols isso não chegava a incomodar. Edu Dracena é bom jogador, mas Durval parece beque de fazenda.
Merecem destaque: o técnico Dorival que mostrou ser um técnico arrojado ao colocar todo mundo no ataque e para o coadjuvante Paulo Ganso que além de jogar muito e ter uma visão de jogo extraordinária, sempre é relegado a segundo plano por não passar o pé na bola e não usar um moicano.
Já Neymar continua mostrando seu bom futebol, tendo inclusive marcado gols em todos os clássicos, mas precisa ser mais maduro ao encarar marcação individual e Robinho com sua máscara de sempre, não fez nada e só reclamou.
Do lado alviverde o destaque como não poderia deixar de ser, Robert. O camisa 20 tirou toda a nhaca ao fazer 3 gols e garantir a vitória, mas vale ressaltar que embora tenha vencido a equipe mostrou muitas deficiências em relação a transição defesa e ataque, buracos na lateral (seja Eduardo ou Marcio Araújo) e falhas de cobertura, o que resta agora é vencer todos os jogos e torcer por um revés de São Paulo ou Corinthians para conseguir a classificação.
Mas uma coisa é certa, as provocações transformaram um jogo que já era bom em uma disputa acirrada onde ninguém estava disposto a ser zuado. A Imprensa volúvel como é, passará a semana estampando manchetes sobre o agora homem gol, Robert e o futebol que antes era pragmático e manjado, agora será conhecido como guerreiro e de superação.
Pelo lado do Santos deve ser levantada a questão da imaturidade, mas o que acaba sendo bom, já que a equipe tem se deixado levar pelos confetes da imprensa que os chamam de Peixe Trotters, em alusão aos basqueteiros Harlem Globetrotters que só jogam dando espetáculo, ou até mesmo Santástico.
E essa derrota acaba situando a equipe que se considerava a última bolacha do pacote, jogando com alegria sim, mas também debochando e tirando onda quando está vencendo, afinal se todos os 3 grandes reclamaram da prepotência dos garotos, é porque alguma coisa tem. Nunca se viu tanto corintiano e são-paulino torcendo pelo Palmeiras como nesse dia.
Quando o jogo estava 2x0 foi possível ouvir olé da torcida, o que acabou empolgando os jogadores, que se apequenaram com o empate e consequente virada. O que não pode agora é criar essa desculpa esfarrapada de perseguição ao ‘futebol bonito’, porque se for ver os números o Santos levou tanto quanto bateu.
3 comentários:
Eu acho que o Palmeiras deu sorte e novamente esse "sucesso" vai encobrir a real situação do clube. Vamos esperar mais algumas rodadas para verificarmos se realmente o time está se recuperando, ou se afundando em uma crise que ao meu ver, vai muito além das quatro linhas. Quanto ao Santos, bom perdeu no momento que precisava perder. O time é muito bom, mas estava pecando em seu próprio orgulho com brincadeiras e dancinhas. Eles precisavam aprender que futebol é coisa séria, madura e não se resolve uma partida fazendo molecagem.
Abs.
Muito bem colocado, tanto é que os jogos do meio da semana refletem essa diferença técnica entre as equipes. Aparentemente, as firulas do clássico foram consertadas embora ainda tenha dancinhas, o futebol foi mais sério. Já o Palmeiras, voltou a esbarrar nas próprias limitações e no medo de perder, porque o time do Paysandu com todo o respeito é uma piada.
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