19 outubro 2008

‘’Gás’’ rumo ao Título

No clássico que girava em torno do tão conturbado gás de pimenta, o Palmeiras consegue um empate heróico em apenas dois minutos e mostra que ainda está vivo no campeonato.

Nesta tarde de domingo, o Palmeiras demonstrou que a sorte de campeão está a seu lado, em um jogo muito disputado, o alviverde na base da raça buscou o empate em apenas dois minutos após estar perdendo por dois a zero para o São Paulo. O clássico já tinha um tempero natural que era o caso do gás de pimenta, que até hoje é comentado e que ganhou novos capítulos com a possibilidade de um integrante da mancha verde ter sido o autor dessa patifaria. Mas ganhou novos episódios com as flores que foram enviadas pela própria mancha ao CT do São Paulo como um irônico pedido de desculpas, além da troca de acusações pela imprensa entre Diego Souza e Muricy Ramalho de quem era o favorito no clássico. Além disso, o Palmeiras continua com um excelente aproveitamento como mandante tendo apenas uma derrota no ano em sua casa para o Sport (de quatro confrontos no ano, o Palmeiras perdeu todos e de forma vergonhosa todos eles).

O jogo

Por se tratar de um clássico e um jogo entre duas equipes que ainda estão na briga pela o título, os dois técnicos adotaram o esquema de 3-4-1-2, bem cauteloso dando proteção à defesa e contando com a qualidade de seus jogadores para decidir a partida, ou bola parada no caso do São Paulo. Esse esquema é padrão para o time do São Paulo e tem se tornado também para o Palmeiras, com Martinez fazendo o papel de falso terceiro zagueiro. Com a já confirmada ausência de Jumar, por suspensão, era previsto que Pierre entrasse em seu lugar, mas Wanderley resolveu inventar e colocou Léo Lima, buscando um meio de campo mais técnico e menos pegador. Martinez ainda era dúvida para a partida devido a uma lesão na coxa esquerda, sendo vetado horas antes do jogo dando lugar a Maurício.

No São Paulo, a equipe estava definida com apenas Joilson como desfalque (ou reforço), a equipe veio em busca dos contra-ataques e na tentativa de ‘’chamar’’ a torcida contra o Palmeiras se o empate resistisse a durar.

O jogo começou eletrizante com o Palmeiras tendo mais posse de bola e tentando furar o bloqueio formado pelo trio André Dias, Miranda e Rodrigo. O tricolor que é conhecido pela sua forte defesa e péssimo ataque buscava o gol nas bolas paradas ou na velocidade de seus jogadores. Logo no começo se via que o jogo seria quente e em uma jogada do volante Jean que não iria dar em nada, a ‘’grande’’ aposta de Luxa, Léo Lima, fez um pênalti infantil. Rogério Ceni cobrou com perfeição e fez um a zero. Com o gol, o esquema de Luxemburgo desmoronou e com isso o técnico se viu na obrigação de abrir o time em busca do empate, com isso Mauricio cedeu lugar para Evandro.

Antes mesmo da entrada de Evandro, o jogo mostrou como a rivalidade entre as equipes se acirrou nos últimos tempos, Borges e Diego Souza trocaram empurrões na hora de repor a bola no meio de campo e foram mandados para o chuveiro aos 6 minutos do primeiro tempo em uma decisão um tanto quanto exagerada do arbitro Sálvio Spindola. Após o gol o Palmeiras se jogou no ataque, com Evandro atuando de volante cobrindo as descidas de Granja e com Léo Lima como meia. O alviverde conseguiu uma melhora no jogo, com mais posse de bola a equipe conseguiu ter certo controle na partida mas não traduzia isso em chutes a gol e nem no próprio gol. Com o meio de campo muito congestionado, as melhores chances de ambas as equipes foram pelas laterais. Na base da raça e da força bruta Kleber foi criando as melhores oportunidades da equipe, em uma arrancada de Alex Mineiro o atacante demorou tanto para finalizar que Rogério só faltou agarrar a bola de tão fraco que foi o chute. Mas as grandes chances, de ambos os lados, realmente foram pelas laterais e com belos cruzamentos de Élder Granja em um deles Kleber deu um chute forte defendido por Ceni e no outro um cabeceio que bateu na trave e pingou na linha de Alex Mineiro.

Enquanto isso o São Paulo usava a velocidade e a catimba de Dagoberto para criar chances e irritar os jogadores do Palmeiras, jogadas pelas laterais com Jorge Wagner e Hernanes eram as mais acionadas, mas sem muito perigo. Em um lance de inteligência o atacante tricolor pegou a zaga palmeirense desarrumada e acertou um belo chute no canto direito de Marcos que pulou só para aparecer na foto.

No intervalo, o São Paulo voltou igual, até porque não teria sentido mudar e Wanderley percebendo a lambança de apostar em Léo Lima colocou Pierre, para liberar Evandro e dar mais consistência na defesa não a deixando tão vulnerável a contra-ataques. Depois de tanta emoção no primeiro tempo era natural que o segundo tempo fosse mais ameno e essa foi a tonica do jogo o Palmeiras atacando desordenadamente e o São Paulo se defendendo muito bem. Vendo que a situação não mudava Luxemburgo tentou sua ultima cartada sacando Sandro Silva para a entrada de Denílson.

E não é que deu certo, Denílson colocou fogo na partida dando mais opções para o ataque alviverde. Caindo pelas pontas, pelo meio por todas as direções do campo o atacante buscava de todas as maneiras manter o Palmeiras vivo na partida. E aos 32 min, após um chute forte de Kleber, a bola sobrou para Denílson que deixou André Dias no chão tocou para o próprio atacante completar a jogada e acender o Palestra na partida (é incrível a gana que os dois atacantes jogam contra seu ex-clube). O gol inflou os 27 mil torcedores que estavam calados perante os três mil torcedores tricolores, foi ai que dois minutos depois Kleber em mais uma jogada individual conseguiu uma falta próxima à área. Após uma falta bizonhamente cobrada Granja cedeu lugar para Leandro tentar o chute, foi quando lateral bateu mal, mas a cabeça do atacante Dagoberto desviou a bola fazendo com que o goleiro Rogério ficasse vendido no lance, empate heróico e festa no Palestra Itália.

Após o gol, as duas equipes ficaram receosas em partirem em busca do gol com medo de se distanciarem do líder Grêmio que ainda iria jogar (derrotado pela Lusa por 2x0). Mas nos últimos momentos ainda restou tempo para mais uma expulsão a do zagueiro Roque Júnior, que recebeu o segundo amarelo após falta sobre Éder Luis. No final o empate acabou sendo um ótimo resultado para o Palmeiras devido a circunstâncias da partida e para o São Paulo só resta lamentar por ter deixado uma oportunidade dessas escapar.

No geral o jogo foi muito duro, com muitas faltas e advertências no total 11 cartões sendo 8 amarelos e 3 vermelhos. O árbitro Sálvio Spinola, teve uma boa atuação, apesar de ter exagerado nas expulsões de Borges e Diego Souza entretanto conseguiu conter a violência que poderia ter sido o jogo, o que o complicou foi inverter muitas faltas para ambos os lados. Desde o começo o empate era um bom resultado por se tratar de um clássico, porém os empates contra os ameaçados Náutico e Figueirense, mesmo sendo fora de casa eram pontos certos nas contas de Wanderley Luxemburgo o que ajudaria com que o Palmeiras continuasse na liderança apesar desse resultado de hoje.

Atuações

PALMEIRAS

Marcos: 6,0 – Não teve culpa nos gols, embora tenha feito defesas importantes não teve muito trabalho.

Gustavo: 5,5 – Deu espaço para Dagoberto no lance do segundo gol, mas fora isso teve uma atuação tranqüila.

Roque Júnior: 6,0 – Embora tenha sido expulso, demonstrou muita vontade e liderança para comandar a zaga. Peca pela lentidão extrema, mas compensa com sua experiência.

Maurício: Sem nota – Ficou apenas 7 minutos em campo.

Élder Granja: 6,0– Conteve boa parte das descidas de Jorge Wagner e atacou bem, seus cruzamentos são sempre perigosos, cobrou uma falta bizonha no segundo tempo. Precisa treinar chutes a gol urgentemente, pois nas ultimas partidas tem perdido muitas oportunidades.

Sandro Silva: 5,5 – Não repetiu as últimas grandes exibições, se limitou a marcar.

Léo Lima: 4,0 – A surpresa de Luxemburgo não teve uma boa atuação, cometeu um pênalti infantil no garoto Jean e errou o passe que resultou no gol de Dagoberto.

Diego Souza: 0 – Tudo bem que o juiz Sálvio Spindola tenha exagerado nas expulsões, mas se não fosse pela raça de seus companheiros a situação do Palmeiras poderia ter se complicado devido a sua expulsão que detonou com o esquema imposto por Wanderley.

Leandro: 6,5 – Vinha tendo uma atuação discreta e sem brilho, pois pingava muito da lateral para o meio de campo limitando as opções do alviverde no setor esquerdo, até fazer o gol de empate que alavancou sua nota.

Kléber: 8,5 – O grande nome da partida, brigou pela bola do início ao fim. Sempre buscando jogo não se intimidou e criou as melhores oportunidades de sua equipe, o gol foi um prêmio pela sua garra.

Alex Mineiro: 5,0 – Não fez absolutamente nada, muitas vezes até atrapalhou os contra-ataques da equipe. Ficou estático no ataque esperando a bola chegar em seus pés, embora seja o artilheiro do time, demora muito para finalizar o que facilitou a vida de Rogério. Recebe essa nota devido à boa cabeçada que quase foi gol, ao pingar na linha.

Evandro: 6,0 – Não fez nada de espetacular, mas soube cadenciar o jogo no momento certo e segurar a bola para tranqüilizar o time.

Pierre: 6,5 – Não pode ser reserva ainda mais de Léo Lima, mostrou que está recuperado de seus problemas físicos e emocionais que o tiraram de diversos jogos na temporada. Deu o suporte que a zaga precisava com carrinhos e desarmes precisos.

Denílson: 8,0 – Pôs fogo no jogo, partiu para cima da zaga tricolor e não se intimidou com o paredão que barrava os atacantes do palmeiras. Deu o passe para o gol de Kleber, que iniciou a reação.

SÃO PAULO

Rogério Ceni: 6,0 - Mostrou reflexos apurados nos chutes de Kleber e Alex Mineiro. Entretanto no lance de Denílson ficou com a mão ‘’mole’’ e não conseguiu interceptar o passe do atacante, no segundo gol não pode fazer nada foi enganado pelo desvio da bola. Atuação regular.

Rodrigo: 5,5 – Se mostrou nervoso na partida, sendo o mais fraco dos três zagueiros, embora isso não seja uma coisa ruim tendo em vista que a defesa se portou bem na partida.

André Dias: 5,5 – Vinha tendo uma ótima atuação até ser deixado no chão por Denílson no lance do primeiro gol do Palmeiras.

Miranda: 6,5 – Mostra o porque é um dos melhores zagueiros do Brasil teve uma excelente atuação ganhando praticamente todas as jogadas.

Zé Luis: 5,0 – Voluntarioso, quase não foi notado o que é bom mostra que cumpriu sua função tática que era anular Leandro que se deslocou para o meio tentando fugir da marcação.

Jean: 6,0 – O garoto mostrou personalidade em seu primeiro clássico, marcou muito bem, porém se limitou a isso, em uma de suas poucas subidas ao ataque sofreu o pênalti de Léo Lima.

Hernanes: 5,5 – A seleção brasileira o fez mal, parece que esqueceu seu futebol na China. Mostrou lentidão em alguns lances e não soube explorar a avenida que Leandro deixou.

Hugo: 5,0 – Não fez nada de mais na partida, muitos passes laterais e discussões na partida.

Jorge Wagner: 5,5 – Fez o feijão com arroz, marcou e atacou com a mesma simplicidade. Como não poderia deixar de ser a bola parada foi sua principal arma, bate impressionante bem na bola. Seu principal defeito é sua lentidão absurda e por demorar muito para agir.

Dagoberto: 6,5 – Após a expulsão de Borges se tornou o único atacante da equipe, com sua velocidade conseguiu criar boas oportunidades para o São Paulo. Marcou um belo gol, na verdade foram dois, um a favor e um contra após desvio na falta cobrada por Leandro. Chamou mais a atenção devido a incrível cera e teatro que irritou a todos os jogadores do Palmeiras.

Borges: 0 – Se envolveu em discussão com Diego Souza e foram pro chuveiro bem mais cedo.

Éder Luis: 5,5 – Se tivesse entrado antes talvez tivesse criado melhores oportunidades, com dois atacantes velozes a zaga do palmeiras, que é lenta, iria ter problemas. Mas como Muricy não vai muito com sua cara tem que ficar satisfeito por ter entrado.

Ficha técnica

Palmeiras 2 x 2 São Paulo

Palmeiras: Marcos, Gustavo, Roque Júnior e Maurício (Evandro), Élder Granja, Sandro Silva (Denílson), Léo Lima (Pierre), Diego Souza e Leandro, Kléber e Alex Mineiro. Técnico: Wanderley Luxemburgo

São Paulo: Rogério Ceni, Rodrigo, André Dias e Miranda, Zé Luis, Jean, Hernanes, Hugo (Éder Luis) e Jorge Wagner, Dagoberto e Borges.
Técnico: Muricy Ramalho

Gols: Rogério Ceni (Pênalti) aos 6 min, Dagoberto aos 44 min do primeiro tempo. Kleber aos 33 e Leandro aos 35 min do segundo tempo.

Cartões amarelos: Léo Lima, Kléber, Roque Júnior, Gustavo e Élder Granja (Palmeiras).
Dagoberto, Rodrigo e Hugo (São Paulo).

Cartões Vermelhos: Diego Souza, Roque Júnior (Palmeiras) e Borges (São Paulo).

Estádio: Palestra Itália.

Árbitro: Salvio Spinola